
Ontem terminei de ler "Ensaio sobre a cegueira". Já faz um tempão que eu queria ler esse livro, mas sempre o encontrava um pouco caro. Então, esses dias consegui no site do Submarino por 15 reais abaixo da média que preço que até então tinha encontrado. Resolvi comprar. Então, fiquei me controlando pra não ler tudo muito rápido porque senão ia ficar de novo sem ter o que ler. No fim, acho que li num tempo bom (isso porque já chegou o novo livro, então vou ter o que ler de novo...).
Enfim, voltando sobre o livro, ele é ótimo. Como eu já tinha visto o filme, ficou mais fácil de visualizar tudo. Mas, no livro, as coisas parecem mais pesadas, o filme, parece que abrandou bastante o caos que virou o mundo de cegos. Pelas descrições do livro, as ruas, além de devastadas, com os carros abandonados, existia gente morta, cachorros comendo essa carne humana e muitas fezes pelo chão... O filme foi bem legal com a situação que se tornou. A falta de organização dos cegos, o comportamento como animais, tudo é impressionante. Nos faz refletir sobre muitas coisas. O tempo da quarentena, com certeza, foi horroroso, mas descobrir o que se tornou a cidade é um pesadelo. A mulher do médico, a única que vê, ainda conseguia retirar esperanças das suas fraquezas pra seguir em frente e comandar seu grupo.
Segue o texto no marcador do livro:
"Às vésperas do fim do milênio, num periodo onde imperam,de um lado, a velocidade, a ganância e a abstinência moral e, de outro, a profecia e um misticismo compensatórios, o escritor vem nos lembrar a 'responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam'. É um livro, então, sobre a ética, e é um livro também sobre o amor, e sobre a solidariedade. 'Parece uma parábola', comenta alguém no romance; mas sua força, como nas melhores parábolas, vem precisamente do realismo da descrição, no limite do inominável. Cada leitor viverá, aqui, uma experiência imaginativa única, no esforço de recuperar a lucidez. 'Se podes olhar, vê. Se poder ver, repara.' A epígrafe resume a empreitada do escritor, como de cada leitor. Não se trata só de reparar no significado das coisas, mas também de proceder à reparação do que foi perdido, ou mutilado - 'uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos'". (Arthur Nestrovski)